sábado, 11 de abril de 2015

Pais e filhos


Hoje fui, juntamente com a minha mãe, levar uma visinha até ao lar para ela poder ver o marido. Deixá-mos lá a senhora e fomos dar uma volta para os deixar a sós e para fazer tempo.
Pois bem, quando regressámos entrámos para estar um bocadinho com o senhor e para lhe fazer companhia.
Na hora de vir embora, um outro senhor veio logo connosco até à porta - na qual tivemos um bom bocado à espera para sair - qual foi o meu espanto quando este senhor começou a falar connosco. Disse-nos que queria ir embora porque tinha uma casa só dele e não precisava de estar ali. Claro está que a minha mãe - com o seu grande poder de boa conversa simpática - lhe explicou que não podia e que, além disso, a casa dele agora era ali ao pé dos amigos/as. O senhor simplesmente respondeu com um pergunta: Mas porquê?
Este episódio deixou-me com o coração tão apertado e, com isto a pergunta do senhor começou a fazer sentido na minha cabeça.
As pessoas são tão egoístas porquê? Hoje os país abandonam os filhos e amanhã estão a ser abandonados pelos mesmos. As pessoas são utilizadas e desprezadas como objetos porquê? Quando dão trabalho e despesa toca a deixá-las ao cuidado de outrem, sem sequer saber com que condições. A vida dá tantas voltas e o karma anda sempre atento.
Mas claro que ambém tenho em conta que cada vez mais é preciso consiliar o trabalho e o dinheiro para proporcionar alguma qualidade de vida, mas se recuarmos no tempo, também havia estes problemas e não havia cá infantários nem lares para ninguém. As crianças eram criadas em casa e os idosos ficavam ao cuidado da família até morrerem. Até porque para estarem num lar é preciso dinheiro de todas as maneiras. 
Eu não conseguia deitar-me na minha cama e saber que a minha mãe estava num lar aos cuidados de não sei quem que trata bem ou não dela. Para isto acontecer - sim porque, a palavra "nunca" é muito forte - eu teria de estar muito, muito aflita.
Onde estão os filhos deste homem que mal chega a velho - diga-se de passagem que até estava bem conservado para estar ali - é depositado num lar? Ou melhor, onde está o coração do filho dele? Só me apeteceu agarrar no senhor e vir-me embora com ele.
Já no carro, decubri através da minha visinha, que este é só um dos casos naquele lar. Este senhor já conseguiu fugir; há pessoas que só veem a família de dois em dois meses e até há casos de filhos que vieram passar férias com os pais até Portugal e sem querer deixaram-nos aqui.

E agora pergunto eu: Mas porquê? Porquê viver num mundo assim?

5 comentários :

  1. Isso é um pouco triste. Por exemplo, a minha bisavó agora vai para o centro do dia, mas a minha mãe até tens as suas razoes para a deixar lá. A minha bisavó diz que gosta de lá estar, está com pessoas conhecidas e pelo menos nos aqui em casa achamos que aqui em casa não fazia nada. Estar todo o dia sentado numa cadeira a ver o dia a passar, não é nada divertido.
    Mas também mete um bocado pena quando os pais que sempre cuidaram dos seus filhos mais tarde sao abandonados por eles. Isso do "há casos de filhos que vieram "passar férias" com os pais até Portugal e "sem querer" deixaram-nos aqui." é mesmo uma desculpa estupida e esfarrapada O.o

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  2. Acho que os filhos deviam tomar conta dos pais ....

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  3. Infelizmente hoje em dia é assim :/

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  4. Também é algo que me mete imensa confusão. E às vezes as pessoas que vão para um lar não só estão bem conservadas como conseguem tomar conta delas mesmas, só que os filhos não querem ter o mínimo dos trabalhos (como, por exemplo, verificar se estão bem de x em x tempo ou visitá-los mais vezes)

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  5. Infelizmente, há muitos filhos a abandonar os pais porque não querem saber deles, mas depois há o outro lado: filhos que não têm condições para cuidar dos pais e têm que os deixar ao cuidados de outros. São situações diferentes, bem diferentes, até porque os segundos preocupam-se e arranjam sempre forma de manter contacto e de estar com as pessoas, mas nem sempre as situações são como as vemos.
    Custa bastante ver o nível de desprezo de alguns, como se aquelas pessoas não lhes pertencessem, e eu que faço voluntariado com idosos sei de alguns casos assim.

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