Hoje fui, juntamente com a minha mãe, levar uma visinha até ao lar para ela poder ver o marido. Deixá-mos lá a senhora e fomos dar uma volta para os deixar a sós e para fazer tempo.
Pois bem, quando regressámos entrámos para estar um bocadinho com o senhor e para lhe fazer companhia.
Na hora de vir embora, um outro senhor veio logo connosco até à porta - na qual tivemos um bom bocado à espera para sair - qual foi o meu espanto quando este senhor começou a falar connosco. Disse-nos que queria ir embora porque tinha uma casa só dele e não precisava de estar ali. Claro está que a minha mãe - com o seu grande poder de boa conversa simpática - lhe explicou que não podia e que, além disso, a casa dele agora era ali ao pé dos amigos/as. O senhor simplesmente respondeu com um pergunta: Mas porquê?
Este episódio deixou-me com o coração tão apertado e, com isto a pergunta do senhor começou a fazer sentido na minha cabeça.
As pessoas são tão egoístas porquê? Hoje os país abandonam os filhos e amanhã estão a ser abandonados pelos mesmos. As pessoas são utilizadas e desprezadas como objetos porquê? Quando dão trabalho e despesa toca a deixá-las ao cuidado de outrem, sem sequer saber com que condições. A vida dá tantas voltas e o karma anda sempre atento.
Mas claro que ambém tenho em conta que cada vez mais é preciso consiliar o trabalho e o dinheiro para proporcionar alguma qualidade de vida, mas se recuarmos no tempo, também havia estes problemas e não havia cá infantários nem lares para ninguém. As crianças eram criadas em casa e os idosos ficavam ao cuidado da família até morrerem. Até porque para estarem num lar é preciso dinheiro de todas as maneiras.
Eu não conseguia deitar-me na minha cama e saber que a minha mãe estava num lar aos cuidados de não sei quem que trata bem ou não dela. Para isto acontecer - sim porque, a palavra "nunca" é muito forte - eu teria de estar muito, muito aflita.
Onde estão os filhos deste homem que mal chega a velho - diga-se de passagem que até estava bem conservado para estar ali - é depositado num lar? Ou melhor, onde está o coração do filho dele? Só me apeteceu agarrar no senhor e vir-me embora com ele.
Já no carro, decubri através da minha visinha, que este é só um dos casos naquele lar. Este senhor já conseguiu fugir; há pessoas que só veem a família de dois em dois meses e até há casos de filhos que vieram passar férias com os pais até Portugal e sem querer deixaram-nos aqui.
E agora pergunto eu: Mas porquê? Porquê viver num mundo assim?
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