Hoje venho falar-vos de um assunto um pouco mais delicado para mim. Algo que simplesmente já me habituei e ignoro facilmente, mas no inicio custou e tem dias que ainda vai custando.
Em dezembro descobrimos que o meu tio fez outra grande borrada, e que desta vez envolvia terceiros (a minha mãe). Desde então ele (e o rei da barriga dele) decidiu que não lhe voltava a falar (sim, ele faz uma grande asneira, mas ainda é o menino que fica indignado e vira as costas às pessoas).
Os meus avós estão destroçados com esta situação, pela alhada que ele fez e por ver os filhos de costas voltadas.
Entretanto chegou o Natal, e eu burrinha como sou tentei falar com ele de forma tranquila e ainda brinquei com ele de forma a que ele viesse passar o dia connosco (seria um desgosto para todos, principalmente para os meus avós se ele não viesse). Bem, não obtive resposta até hoje.
Dias depois, quando estive com ele, entreguei-lhe uma prendinha que tinha comprado para ele e agradeci-lhe por me ter respondido (irónica, eu sei), ele ficou super ofendido ("De nada, era o que mais me faltava esta agora").
E pronto, desde dezembro que não falamos (só mesmo se for algo muito essencial).
Vivemos na mesma casa desde novembro, e à oito meses que convivemos no mesmo espaço e não dirigimos a palavra um ao outro.
É tão desnecessário... Eu não lhe fiz mal nenhum, pelo contrário. Ele está errado e parece que ainda faz por virar a cara às pessoas todas. Como é que ele consegue ter a consciência tranquila?
Quando estava na faculdade era mais fácil de lidar com esta situação, de dia ele trabalha e eu estou em casa, à tardinha ele regressa e eu vou para a faculdade. Ou seja, nem nos vimos muito. Mas antes brincávamos, quando eu chegava da faculdade ele metia-se sempre comigo. Agora... Agora passa por mim e finge que não me vê. Se calha estarmos a subir ou a descer o prédio e nos cruzamos também não nos falamos, e isto é tão estranho que custa. Custa ter de ir à janela ver se o carro dele já chegou para saber se posso sair de casa sem ter de me cruzar com ele e criar mais um momento constrangedor. Custa porque sempre me dei bem com ele, embora ele tivesse uma cabeça pouco pensadora.
Lembro-me de ser miúda e de brincar com ele, ir para o quarto dele pintar, de ele me pregar sustos na entrada e eu ir a correr para a cozinha ter com a minha avó enquanto ela reclamava com ele, lembro-me até de dizer à minha avó que gostava que ele fosse o meu pai e ela a minha mãe. E agora é esta a situação.
Provavelmente devem estar-se a perguntar porque motivo não sou eu a falar com ele e a quebrar este gelo... Mas... Como assim? Ele faz asneira da grossa com a minha mãe, esconde-se no quarto, como um coelho quando vai para a toca, quando ela vem visitar os meus avós ou até mesmo em dias de festa. Eu ainda fiz o esforço para tentar contrariar toda a situação, nem resposta obtive. Ou melhor, passado uns dias tive e foi torta. Deixa de me falar, e eu vou falar com ele? Talvez esteja a ser orgulhosa, talvez devesse tomar outra posição. Mas a verdade é que não consigo e deixei as coisas seguirem este rumo. Eu não lhe fiz mal nenhum e não tenho culpa daquilo que ele fez acontecer. Já não bastava toda a situação que tenho vivido em relação ao meu pai e agora é com o meu tio também.
Já me questiono se o problema é meu... Será que estou a ter uma posição errada? Sinceramente já não sei...








